Capítulo Cinco
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A Escolha

A Escolha

No coração d'A Lei do Um há uma ideia central: o propósito desta etapa da existência é escolher. Não alcançar, não acumular, não demonstrar nada. Simplesmente escolher uma orientação fundamental.

A escolha não é entre bem e mal no sentido convencional. É entre duas maneiras de se relacionar com a existência: uma que se estende para fora, em direção aos outros, e uma que se concentra para dentro, em direção ao eu.

O caminho para fora vê outros seres como parte de si mesmo. Sente suas alegrias e tristezas como próprias. Naturalmente quer compartilhar, ajudar, conectar. Quando esta orientação se aprofunda, torna-se Serviço aos Outros — não como obrigação, mas como expressão natural de como se percebe a realidade.

O caminho para dentro vê os outros como separados, como recursos ou como obstáculos. Busca poder, controle, domínio. Quando esta orientação se aprofunda, torna-se Serviço a Si Mesmo — uma filosofia de colocar o próprio avanço acima de todo o resto.

A maioria vivemos em algum lugar intermediário. Somos gentis às vezes, egoístas outras. Nos estendemos em amor e depois nos retraímos em medo. Isso é normal, é humano. Mas o propósito de nosso tempo aqui é esclarecer gradualmente nossa orientação.

Um ponto importante: ambos os caminhos são válidos num sentido cósmico. Ambos levam eventualmente ao mesmo destino. O Infinito não condena aqueles que escolhem o caminho para dentro — como poderia condenar qualquer parte de si mesmo? Mas os caminhos são muito diferentes em experiência. O caminho para fora gera mais conexão, mais alegria compartilhada. O caminho para dentro gera mais isolamento, mais luta, e eventualmente requer reversão quando alcança seus limites.

O que torna esta escolha tão significativa é o esquecimento. Escolhemos sem certeza de para onde leva cada caminho. Escolhemos amor sem prova de que será retornado. Escolhemos confiança sem garantia. Isso é o que dá peso real à escolha.

A escolha não se faz uma vez, num momento dramático. Se faz repetidamente, nos pequenos momentos da vida. Em como você trata o desconhecido. No que faz quando ninguém observa. Nos pensamentos que permite quando está sozinho. Essas pequenas escolhas se acumulam numa direção geral.

Não se requer perfeição. Mesmo uma ligeira maioria de orientação para fora — algo mais da metade de seus momentos orientados em direção aos outros — é suficiente para estabelecer a direção. Não nos é pedido para ser santos. É pedido para tentarmos, continuarmos tentando, mantermos a orientação mesmo quando falhamos.

A escolha é sua. Sempre foi sua. E escolha o que escolher, você continua sendo o que sempre foi: uma expressão do Infinito, encontrando seu caminho.